Ando me sentindo assim,
analfabeta,
sem tato, cega
sem cor, sem vida.
sem vontade de sentir.
Não acho mais minhas palavras,
estão confusas,
cheia de incertezas,
incertezas confusas, loucas, irritantes.
(Luana Costa)
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
sábado, 26 de dezembro de 2009
--
Tem coisas lá em casa que eu nem ligo mais,
pra não ter que desligar.
Pessoas da minha vida parecem sumir,
mas insistem em voltar.
Amores requentados,
feito pão dormido,
vêm do microondas.
E o bom e velho gosto de romance antigo
é sempre bom de recordar.
Flores que você traz pra me dar...
Eu não preciso disso pra lembrar.
(Bidê ou Balde)
pra não ter que desligar.
Pessoas da minha vida parecem sumir,
mas insistem em voltar.
Amores requentados,
feito pão dormido,
vêm do microondas.
E o bom e velho gosto de romance antigo
é sempre bom de recordar.
Flores que você traz pra me dar...
Eu não preciso disso pra lembrar.
(Bidê ou Balde)
domingo, 13 de dezembro de 2009
.
Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.
- Caio Fernando Abreu
- Caio Fernando Abreu
sábado, 5 de dezembro de 2009
Gente séria.
Não venha você, com manhãs de gente séria.
Desenhando poesias,
Escrevendo quadros,
Fotografando sentimentos.
Com manhãs de gente séria, não venha você.
Não quero nada certo,
Quero o relógio girando numa rápidez,
Quero fogo e ao mesmo tempo água,
Quero carinho intenso.
Gente séria, não venha você.
Não quero tu, ele, nós, vós, ele,
Quero eu,
Quero mão,
Quero movimento,
Não venha você, gente séria.
Quero?
gente séria.
(Luana Fonseca)
Desenhando poesias,
Escrevendo quadros,
Fotografando sentimentos.
Com manhãs de gente séria, não venha você.
Não quero nada certo,
Quero o relógio girando numa rápidez,
Quero fogo e ao mesmo tempo água,
Quero carinho intenso.
Gente séria, não venha você.
Não quero tu, ele, nós, vós, ele,
Quero eu,
Quero mão,
Quero movimento,
Não venha você, gente séria.
Quero?
gente séria.
(Luana Fonseca)
domingo, 29 de novembro de 2009
De segunda à domingo
Segunda-Feira, tento acordar cedo para fazer revisão para o vestibular da UFF, que aconteceria no domingo. Começou a minha ansiedade e insegurança e de certa forma tristeza. Não consegui acordar cedo, levantei 10h30min, meio chateada comigo mesmo e começava a enrolar até estudar, fiz isso quase à semana toda. Estudava um pouquinho, relia meus resumos, mas nada adiantava, eu olhava para a minha janela e via aquele dia lindo, e queria sair. E saia. Depois me arrependia, mas logo pensava que não ia adiantar de muita coisa ficar me matando de estudar uma semana antes da prova. Chegou sábado, fui para o Rio de Janeiro, bem cedinho. Cheguei aqui, e falei para a minha tia que é professora de filosofia, que iria cair filosofia na minha prova. Ela me disse que me daria um pouquinho de aula, já que eu não tinha estudado nada, ela leu o edital, e fomos para a praia em um final de tarde para ter aula de filosofia, 2 horas de aula, e ela falou tudo que caiu na prova, e eu acertei quase tudo, errei duas questões. O mais impressionante ou não tão impressionante é que ela deu exemplo do filósofo Heráclito com a música do Lulu Santos, Como Uma Onda no Mar, e caiu exatamente a mesma coisa, " tudo muda o tempo todo ", fiquei feliz em aprender um pouco de filosofia em duas horas e entender coisas que eu tinha vergonha de perguntar. Achei bem interessante o Mito da Caverna de Platão, entre outras coisas. Bem, domingo dia da prova, fiz a prova em uma sala que não tinha ar-condicionado e só um ventilador funcionava, senti muito calor, e minha pressão caiu! \o/
Bem, terminei a prova saí meio desorientada, pois ela tinha sido fácil, achei meio esquisito. Quando estava voltando para casa, passei pelo ponto de ônibus, pois a rua da casa onde eu fico no Rio, estava fechada porque domingo é dia de recreação. Voltei andando por essa rua, cheia de crianças brincando, até que uma menina linda esbarrou em mim e disse que meu vestido era igual o dela, cheio de flor. E dalí por diante eu tive um sorriso igual o dela de criança e sincero.
Bem, terminei a prova saí meio desorientada, pois ela tinha sido fácil, achei meio esquisito. Quando estava voltando para casa, passei pelo ponto de ônibus, pois a rua da casa onde eu fico no Rio, estava fechada porque domingo é dia de recreação. Voltei andando por essa rua, cheia de crianças brincando, até que uma menina linda esbarrou em mim e disse que meu vestido era igual o dela, cheio de flor. E dalí por diante eu tive um sorriso igual o dela de criança e sincero.
domingo, 22 de novembro de 2009
Sonhos Estranhos.
Tenho medo, tenho sim.
Desses sonhos estranhos,
Estranhos sonhos de você,
Ao abrir meus olhos, nada.
Nada é realidade.
é realidade.
( Luana Fonseca )
Desses sonhos estranhos,
Estranhos sonhos de você,
Ao abrir meus olhos, nada.
Nada é realidade.
é realidade.
( Luana Fonseca )
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Vasco da Gama.

Vasco da Gama, o meu time.
Dia 7 de novembro de 2009, ele voltou para série A do campeonato brasileiro. Eu estava em um churrasco de um amigo, mais saia em 5 em 5 minutos para ver o jogo em um barzinho ao lado, teve um hora que eu cheguei e não conseguia sair do bar, eu fiquei arrepiada ao ver 81 mil torcedores cantando, eu fiquei emocionada, sentei na cadeira e não olhei mais para nada, só para aquela tv pequena, todo mundo me chamando, e eu só respondia não, não, não! Eu queria estar lá, no meio de 81 mil torcedores, cantando até ficar rouca. Estava um calor de 40 graus no Rio, maracanã lotado. Parecia até final de campeonato, mais não. Não era. Era só o Vasco da Gama, mostrando quem é. Um time de primeira divisão, um time de emocionar, de arrepiar, um time aonde o sentimento não para por um segundo, ele cresce a cada segundo, e de tal forma que eu jamais vou saber explicar. Um time de grandes ídolos, um time de história, um time muito muito amado, e que na tarde de sábado do dia 7 de novembro de 2009,com um placar de 2x1 em cima do Juventude,o C.R Vasco da Gama voltou ao seu devido lugar, um lugar de onde nunca devia ter saído. Emocionando e arrepiando todos, todos os torcedores cruzmaltinos.
Vasco da Gama, amor infinito.
"Tua imensa torcida é bem feliz"
- Luana Fonseca. /+/
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
.
''Por algum tempo, foi assim que me defini, e é assim que os outros continuam a me definir. Mas não sou aquilo que digo ou faço, ou aquilo de que me lembro. Fundamentalmente, sou mais do que isso.''
[ Para Sempre Alice - p. 239 ]
- Um bom livro, aconselho a todos lêem.
[ Para Sempre Alice - p. 239 ]
- Um bom livro, aconselho a todos lêem.
domingo, 27 de setembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
é, ela não passou.
Ela chegou, todo mundo falando que iria tirar a nota máxima. E ela muito nervosa, só ria. E queria entrar logo na sala para tentar ficar um pouco mais calma, foi para sala, mal conseguia assinar o seu nome, de tanto que suas mãos tremiam, ela sentou na cadeira, enumerou atrás do cartão de confirmação de 1 a 60, para depois anotar o seu gabarito, e depois encostou a sua cabeça na parede, todo mundo começou a entrar, e ela observava, parecia que todo mundo estava tão calmo, e logo depois começou a troca de lugar, enfim. Começaram a entregar a prova, e ela estava mais nervosa, não entendo o porque, ela tinha estudado. Ela estava preparada, estava sim. Pelo menos na parte que ela mais gosta, que é a de humanas ela tinha estudado bastante, mas esse bastante não era o suficiente. A prova começou, ela começou a ler o texto que falava sobre filme, naquele texto da prova de língua portuguesa, ela foi bem. Depois veio uma charge, que ela não achou muita graça, e depois um texto louco, sem nexo nenhum. Mas enfim, ela pulou a parte de exatas e foi para história e geografia, que era o que ela mais gostava. Começou a fazer a prova, e foi ficando mais nervosa, por não está conseguindo fazer algumas questões, ela lia e sabia o que estava dizendo, mas não conseguia responder. Ela fechou a prova, respirou, bebeu água. Abriu novamente, terminou a parte de geografia e história, triste. Foi para parte de exatas, não conseguia fazer quase nada, algumas de química e biologia. Nada saia, começou a bater o desespero. Ela olha para frente, faltam 2:00 horas para acabar, caí uma lágrima do olho dela, o fiscal chega ao lado dela, e pergunta se ela não quer ir ao banheiro e beber uma água, ela só mexe a cabeça dizendo que não, termina a sua prova muito mal, vai marcar o cartão resposta, erra. Mas consegue consertar o seu erro. Entrega a prova, desce as escadas, tem vontade de sentar alí e começar a chorar. Mas não faz isso, chega do lado de fora, todos comentando da prova. Ela só quer ir embora, desce a morro com um amigo que disse que também não foi bem, e ela fica meio quieta, muda um pouco de assunto. Pega o ônibus, vai em pé, a viagem é longa, e todo mundo comentando sobre a prova. Ela consegue sentar no meio do caminho, caí outra lágrima de seu rosto, mas ninguém vê. Ela chega em casa, e sua mãe está preparando uma comida, mas ela deita na cama e começa a chorar, e o único gosto que ela sentiu foi o salgado de sua lágrimas. Ela dorme um pouco, acorda com os olhos inchados de tanto chorar, tenta comer algo, mas não consegue. Mas ela tinha que ver sua nota, toma coragem e corrige o seu gabarito, é ela não passou. Ela volta a chorar, a soluçar, e mãe vem e abraça ela, ela se acalma, a mãe começa a conversar. Ela levanta, pega a sua toalha e vai tomar o seu banho. Pensa em tudo, respira e sai. E não fala mais nada durante a noite toda.
...
...
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Tão perto, tão longe.
Não quero,
a mágoa
mas não me entendo
por isso te magôo.
Não quero,
cortar tuas vontades
mas não estou presente nelas
perdoa
meu mundo
é longe
mesmo estando por perto.
Noite fria, vento, pensamentos, solidão.
( Luana Fonseca )
a mágoa
mas não me entendo
por isso te magôo.
Não quero,
cortar tuas vontades
mas não estou presente nelas
perdoa
meu mundo
é longe
mesmo estando por perto.
Noite fria, vento, pensamentos, solidão.
( Luana Fonseca )
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Ausente.
Sinto-me meio analfabeta, sem poesia em minhas palavras. Sinto-me estranha, tudo está ficando cada vez mais ausente, não estou sentindo mais a minha emoção. Estou aqui, mas ao mesmo tempo longe, em um lugar onde nada fica nítido, está tudo tão embaçado, queria tentar enxergar, mas eu não consigo. Não estou nem conseguindo respirar direito, esses meus pensamentos estão me sufocando. Essa negação que anda me rondando, está me deixando assim, meio estranha, meio angustiada. Tenho medo disso, de olhar e realmente não enxergar mais nada.
( Luana Fonseca )
( Luana Fonseca )
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
:)
Um cabelo bagunçado
Um sorriso largo
Uma camisa social branca
Uma camisa... que camisa?
Uma mesa, um café.
Gostosas gargalhadas.
( Luana Fonseca )
-9 de dezembro de 2008.
Um sorriso largo
Uma camisa social branca
Uma camisa... que camisa?
Uma mesa, um café.
Gostosas gargalhadas.
( Luana Fonseca )
-9 de dezembro de 2008.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
---
Ao sentir teu cheiro,
Penso em minhas mãos pelo seu corpo,
A nossa respiração, cada vez mais ofegante.
Quando você se aproxima,
E encosta seu lábios aos meus,
E aquele meu sorriso logo após o beijo sai
Como um sorriso de uma criança
E quando você me abraça, imagino loucuras.
Quero cada vez mais, sentir você perto de mim.
E a nossa respiração não para, como o nosso corpo não para.
Tudo existe movimento, mãos, pele, boca.
E eu me silencio, deixo você fazer o que você quiser.
Nessa minha imaginação, não tem um ponto final.
Jamais terá, eu quero que você abuse de mim.
De tal forma que jamais saberei explicar.
Você com o seu olhar, protetor.
Deixando-me com vontade, de te amar cada vez mais.
Deixando-me com vontade, de te deixar louco,
Não querendo, deixar você com ar.
( Luana Fonseca )
Penso em minhas mãos pelo seu corpo,
A nossa respiração, cada vez mais ofegante.
Quando você se aproxima,
E encosta seu lábios aos meus,
E aquele meu sorriso logo após o beijo sai
Como um sorriso de uma criança
E quando você me abraça, imagino loucuras.
Quero cada vez mais, sentir você perto de mim.
E a nossa respiração não para, como o nosso corpo não para.
Tudo existe movimento, mãos, pele, boca.
E eu me silencio, deixo você fazer o que você quiser.
Nessa minha imaginação, não tem um ponto final.
Jamais terá, eu quero que você abuse de mim.
De tal forma que jamais saberei explicar.
Você com o seu olhar, protetor.
Deixando-me com vontade, de te amar cada vez mais.
Deixando-me com vontade, de te deixar louco,
Não querendo, deixar você com ar.
( Luana Fonseca )
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Ensaio.
Era um fim de tarde, o ensaio era tenso, os passos fortes, olhares observadores, ritmo.
Eles vestiam preto, era corpo no corpo, era respiração ofegante, alguns giros, mais olhares, mais intensidade, suor, chão.
O suor foi dando lugar para outro suor, a sede foi morta pela saliva, a luz foi se acabando, os espelhos irradiando-a, a música no seu último toque, as mãos dela batem no chão fazendo eco, respiração, suspiro, calor. Um silêncio.
- Um dos melhores silêncios da vida dela.
( Luana Fonseca )
Eles vestiam preto, era corpo no corpo, era respiração ofegante, alguns giros, mais olhares, mais intensidade, suor, chão.
O suor foi dando lugar para outro suor, a sede foi morta pela saliva, a luz foi se acabando, os espelhos irradiando-a, a música no seu último toque, as mãos dela batem no chão fazendo eco, respiração, suspiro, calor. Um silêncio.
- Um dos melhores silêncios da vida dela.
( Luana Fonseca )
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Menina morena e ágil, o sol que faz as frutas.
o que madura os trigos, o que retorce as algas,
faz teu corpo alegre, teus luminosos olhos
e tua boca que tem o sorriso da água.
Um sol negro e ansioso te enrola nas ervas
da negra melena, quando estiras os braços.
Tu brincas como o sol como com um arroio
e ele te deixa nos olhos dois escuros remansos.
Menina morena e ágil, nada a ti me aproxima.
Tudo de ti me afasta, como do meio-dia.
És a delirante juventude da abelha,
a embriaguez da onda, a força da espiga.
Meu coração sombrio te procura, sem embargo,
e amo teu corpo alegre, tua voz solta e delgada.
Borboleta morena doce e definitiva
como o trigal e o sol, a papoula e a água.
- Pablo Neruda
o que madura os trigos, o que retorce as algas,
faz teu corpo alegre, teus luminosos olhos
e tua boca que tem o sorriso da água.
Um sol negro e ansioso te enrola nas ervas
da negra melena, quando estiras os braços.
Tu brincas como o sol como com um arroio
e ele te deixa nos olhos dois escuros remansos.
Menina morena e ágil, nada a ti me aproxima.
Tudo de ti me afasta, como do meio-dia.
És a delirante juventude da abelha,
a embriaguez da onda, a força da espiga.
Meu coração sombrio te procura, sem embargo,
e amo teu corpo alegre, tua voz solta e delgada.
Borboleta morena doce e definitiva
como o trigal e o sol, a papoula e a água.
- Pablo Neruda
quinta-feira, 2 de abril de 2009
A útima crônica
"A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."
- Fernando Sabino
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."
- Fernando Sabino
quarta-feira, 11 de março de 2009
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"Ele sentando em seu quarto, ao som de blues e nada mais, pensa, relata, escuta. Sente cada pensamento como se não fosse o último e nem o primeiro, respira. Simplesmente respira.Aquele quarto fechado, sufoca sim. Mas tem a respiração, a respiração de uma vida, de uma história, de uma nova história. História de mulheres, sentimentos, angústia. "
( Luana Fonseca )
( Luana Fonseca )
terça-feira, 10 de março de 2009
Silêncio.
Continuo no meu silêncio
Esse silêncio distraído
Esse silêncio envenenado
Continuo no meu silêncio
Esse silêncio alegre
Esse silêncio triste
Continuo no meu silêncio
Esse silêncio irritante
Esse silêncio medíocre
Continuo no meu silêncio
Esse silêncio suave
Esse silêncio escandaloso...
( Luana Fonseca )
Esse silêncio distraído
Esse silêncio envenenado
Continuo no meu silêncio
Esse silêncio alegre
Esse silêncio triste
Continuo no meu silêncio
Esse silêncio irritante
Esse silêncio medíocre
Continuo no meu silêncio
Esse silêncio suave
Esse silêncio escandaloso...
( Luana Fonseca )
domingo, 8 de março de 2009
Mamãe.
Cada hora que eu penso em escrever um texto para você, me falta palavras, por tantas palavras que eu gostaria de lhe dizer, ainda mais em um dia tão especial como esse.
Penso, em mandar músicas, poesias, textos. Mas penso que você já é isso tudo, você é a música, é a poesia, é a mulher educadora, a criança observadora, é a luz na imensidão, cores, aquarelas, pinturas, desenhos. Você é a mãe, é a filha é a tia, a irmã. Você é mais do que um samba, uma bossa nova, e cordas afinadas, ou desafinadas. Você é o canto dos pássaros, você é natureza, o barulho e a força da cachoeira, a beleza de um pôr-do-sol, e o nascer da lua, você é a imensidão azul do mar, você é um olhar de uma criança, um céu estrelado, você é a simplicidade, você é o pé na terra, é uma flor nascendo, a cor do tiê-sangue, você é o batuque de uma escola de samba, e a leveza de uma bailarina, você é uma lágrima, mãos de trabalhadores da roça, você é o céu, com nuvens ou sem nuvens, a chuva com trovões e raios ou só garoa, você é uma mulher cansada com um cigarro na mão, você é alegria, você é magia, sorte, você é artista, vida, você é o cheiro das frutas, e a cor dos legumes, uma fotografia de paisagem ou favela, você e o amor, sorriso, sabedoria, silêncio, barulho, calma. Você é gole do vinho mais doce, e a cerveja mais amarga. Você é o chocolate mais recheado, a cena de um teatro, você é bela, você é o vôo de uma borboleta, a beleza de um parto, você é semente, dor, frio e calor, você é crescente, cheia, minguante, nova, você é um livro ou história em quadrinhos, recomeço, alma, você é um filme em preto e branco, você é dança, é a luta, é toque do berimbau, você é o desenho indígena, você é a caminhada, o sorriso de uma noiva, o nariz de um palhaço, o equilíbrio de um equilibrista, o suor de um corredor, e o fôlego de um nadador, é um gol no ângulo, uma vitória, o choro de uma criança, as mãos no rosto de uma idosa, você é o fogo verde, você é raridade, prazer, o sabor de uma comida temperada, você é sotaque baiano, e sinceridade, você é família, amigos, lugares cheios ou vazios, você é o abraço e o beijo, você é o meu sorriso e o sorriso do Cainã, você é o nosso abraço, nossa lágrima, nossa força, você é o nosso movimento, você é o nosso coração batendo. Você é tudo isso e mais um pouco, você é toda a beleza que existe no mundo, e toda essa beleza se resume a ser MÃE.
Eu te amo, além do amor! ♥
Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns!
( Luana Fonseca )
Penso, em mandar músicas, poesias, textos. Mas penso que você já é isso tudo, você é a música, é a poesia, é a mulher educadora, a criança observadora, é a luz na imensidão, cores, aquarelas, pinturas, desenhos. Você é a mãe, é a filha é a tia, a irmã. Você é mais do que um samba, uma bossa nova, e cordas afinadas, ou desafinadas. Você é o canto dos pássaros, você é natureza, o barulho e a força da cachoeira, a beleza de um pôr-do-sol, e o nascer da lua, você é a imensidão azul do mar, você é um olhar de uma criança, um céu estrelado, você é a simplicidade, você é o pé na terra, é uma flor nascendo, a cor do tiê-sangue, você é o batuque de uma escola de samba, e a leveza de uma bailarina, você é uma lágrima, mãos de trabalhadores da roça, você é o céu, com nuvens ou sem nuvens, a chuva com trovões e raios ou só garoa, você é uma mulher cansada com um cigarro na mão, você é alegria, você é magia, sorte, você é artista, vida, você é o cheiro das frutas, e a cor dos legumes, uma fotografia de paisagem ou favela, você e o amor, sorriso, sabedoria, silêncio, barulho, calma. Você é gole do vinho mais doce, e a cerveja mais amarga. Você é o chocolate mais recheado, a cena de um teatro, você é bela, você é o vôo de uma borboleta, a beleza de um parto, você é semente, dor, frio e calor, você é crescente, cheia, minguante, nova, você é um livro ou história em quadrinhos, recomeço, alma, você é um filme em preto e branco, você é dança, é a luta, é toque do berimbau, você é o desenho indígena, você é a caminhada, o sorriso de uma noiva, o nariz de um palhaço, o equilíbrio de um equilibrista, o suor de um corredor, e o fôlego de um nadador, é um gol no ângulo, uma vitória, o choro de uma criança, as mãos no rosto de uma idosa, você é o fogo verde, você é raridade, prazer, o sabor de uma comida temperada, você é sotaque baiano, e sinceridade, você é família, amigos, lugares cheios ou vazios, você é o abraço e o beijo, você é o meu sorriso e o sorriso do Cainã, você é o nosso abraço, nossa lágrima, nossa força, você é o nosso movimento, você é o nosso coração batendo. Você é tudo isso e mais um pouco, você é toda a beleza que existe no mundo, e toda essa beleza se resume a ser MÃE.
Eu te amo, além do amor! ♥
Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns!
( Luana Fonseca )
sexta-feira, 6 de março de 2009
Poesia.
O teu toque,
é o teu cheiro
a tua temperatura
o teu calor
o teu suor
o teu sabor
O teu toque,
tem toda sua magia
Tuas manias,
tem o jeito
de tocar,
tem toda
a tua poesia.
( Luana Fonseca )
é o teu cheiro
a tua temperatura
o teu calor
o teu suor
o teu sabor
O teu toque,
tem toda sua magia
Tuas manias,
tem o jeito
de tocar,
tem toda
a tua poesia.
( Luana Fonseca )
domingo, 1 de março de 2009
Talvez.
Talvez, eu seja mais uma aqui.
Com esses pensamentos, loucos.
Às vezes silenciam por muito tempo.
Às vezes gritam demais, me deixando louca.
Tão louca, como uma quarta feira de carnaval.
E volto, e risco o mesmo disco.
Rabisco a mesma folha.
Grito o mesmo grito rouco.
E tudo não passa de um simples desespero.
De uma mulher, que como qualquer outra.
Ama, e ama muito.
( Luana Fonseca )
Com esses pensamentos, loucos.
Às vezes silenciam por muito tempo.
Às vezes gritam demais, me deixando louca.
Tão louca, como uma quarta feira de carnaval.
E volto, e risco o mesmo disco.
Rabisco a mesma folha.
Grito o mesmo grito rouco.
E tudo não passa de um simples desespero.
De uma mulher, que como qualquer outra.
Ama, e ama muito.
( Luana Fonseca )
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