Não quero,
a mágoa
mas não me entendo
por isso te magôo.
Não quero,
cortar tuas vontades
mas não estou presente nelas
perdoa
meu mundo
é longe
mesmo estando por perto.
Noite fria, vento, pensamentos, solidão.
( Luana Fonseca )
terça-feira, 8 de setembro de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Ausente.
Sinto-me meio analfabeta, sem poesia em minhas palavras. Sinto-me estranha, tudo está ficando cada vez mais ausente, não estou sentindo mais a minha emoção. Estou aqui, mas ao mesmo tempo longe, em um lugar onde nada fica nítido, está tudo tão embaçado, queria tentar enxergar, mas eu não consigo. Não estou nem conseguindo respirar direito, esses meus pensamentos estão me sufocando. Essa negação que anda me rondando, está me deixando assim, meio estranha, meio angustiada. Tenho medo disso, de olhar e realmente não enxergar mais nada.
( Luana Fonseca )
( Luana Fonseca )
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
:)
Um cabelo bagunçado
Um sorriso largo
Uma camisa social branca
Uma camisa... que camisa?
Uma mesa, um café.
Gostosas gargalhadas.
( Luana Fonseca )
-9 de dezembro de 2008.
Um sorriso largo
Uma camisa social branca
Uma camisa... que camisa?
Uma mesa, um café.
Gostosas gargalhadas.
( Luana Fonseca )
-9 de dezembro de 2008.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
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Ao sentir teu cheiro,
Penso em minhas mãos pelo seu corpo,
A nossa respiração, cada vez mais ofegante.
Quando você se aproxima,
E encosta seu lábios aos meus,
E aquele meu sorriso logo após o beijo sai
Como um sorriso de uma criança
E quando você me abraça, imagino loucuras.
Quero cada vez mais, sentir você perto de mim.
E a nossa respiração não para, como o nosso corpo não para.
Tudo existe movimento, mãos, pele, boca.
E eu me silencio, deixo você fazer o que você quiser.
Nessa minha imaginação, não tem um ponto final.
Jamais terá, eu quero que você abuse de mim.
De tal forma que jamais saberei explicar.
Você com o seu olhar, protetor.
Deixando-me com vontade, de te amar cada vez mais.
Deixando-me com vontade, de te deixar louco,
Não querendo, deixar você com ar.
( Luana Fonseca )
Penso em minhas mãos pelo seu corpo,
A nossa respiração, cada vez mais ofegante.
Quando você se aproxima,
E encosta seu lábios aos meus,
E aquele meu sorriso logo após o beijo sai
Como um sorriso de uma criança
E quando você me abraça, imagino loucuras.
Quero cada vez mais, sentir você perto de mim.
E a nossa respiração não para, como o nosso corpo não para.
Tudo existe movimento, mãos, pele, boca.
E eu me silencio, deixo você fazer o que você quiser.
Nessa minha imaginação, não tem um ponto final.
Jamais terá, eu quero que você abuse de mim.
De tal forma que jamais saberei explicar.
Você com o seu olhar, protetor.
Deixando-me com vontade, de te amar cada vez mais.
Deixando-me com vontade, de te deixar louco,
Não querendo, deixar você com ar.
( Luana Fonseca )
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Ensaio.
Era um fim de tarde, o ensaio era tenso, os passos fortes, olhares observadores, ritmo.
Eles vestiam preto, era corpo no corpo, era respiração ofegante, alguns giros, mais olhares, mais intensidade, suor, chão.
O suor foi dando lugar para outro suor, a sede foi morta pela saliva, a luz foi se acabando, os espelhos irradiando-a, a música no seu último toque, as mãos dela batem no chão fazendo eco, respiração, suspiro, calor. Um silêncio.
- Um dos melhores silêncios da vida dela.
( Luana Fonseca )
Eles vestiam preto, era corpo no corpo, era respiração ofegante, alguns giros, mais olhares, mais intensidade, suor, chão.
O suor foi dando lugar para outro suor, a sede foi morta pela saliva, a luz foi se acabando, os espelhos irradiando-a, a música no seu último toque, as mãos dela batem no chão fazendo eco, respiração, suspiro, calor. Um silêncio.
- Um dos melhores silêncios da vida dela.
( Luana Fonseca )
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Menina morena e ágil, o sol que faz as frutas.
o que madura os trigos, o que retorce as algas,
faz teu corpo alegre, teus luminosos olhos
e tua boca que tem o sorriso da água.
Um sol negro e ansioso te enrola nas ervas
da negra melena, quando estiras os braços.
Tu brincas como o sol como com um arroio
e ele te deixa nos olhos dois escuros remansos.
Menina morena e ágil, nada a ti me aproxima.
Tudo de ti me afasta, como do meio-dia.
És a delirante juventude da abelha,
a embriaguez da onda, a força da espiga.
Meu coração sombrio te procura, sem embargo,
e amo teu corpo alegre, tua voz solta e delgada.
Borboleta morena doce e definitiva
como o trigal e o sol, a papoula e a água.
- Pablo Neruda
o que madura os trigos, o que retorce as algas,
faz teu corpo alegre, teus luminosos olhos
e tua boca que tem o sorriso da água.
Um sol negro e ansioso te enrola nas ervas
da negra melena, quando estiras os braços.
Tu brincas como o sol como com um arroio
e ele te deixa nos olhos dois escuros remansos.
Menina morena e ágil, nada a ti me aproxima.
Tudo de ti me afasta, como do meio-dia.
És a delirante juventude da abelha,
a embriaguez da onda, a força da espiga.
Meu coração sombrio te procura, sem embargo,
e amo teu corpo alegre, tua voz solta e delgada.
Borboleta morena doce e definitiva
como o trigal e o sol, a papoula e a água.
- Pablo Neruda
quinta-feira, 2 de abril de 2009
A útima crônica
"A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."
- Fernando Sabino
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."
- Fernando Sabino
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